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HORMÔNIOS FEMININOS

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fonte Só Biologia

Melatonina 

É sabido que a melatonina também influencia no sistema genital e nos receptores do hormônio estrógeno, ajudando a prevenir câncer de mama. Alterações nas taxas desse hormônio, porém, podem levar a distúrbios de ovulação e fertilidade. Seu excesso pode ser sinal de síndrome dos ovários policísticos e tumores no sistema genital feminino, merecendo atenção redobrada. 
Testosterona 
Apesar de ser conhecido como “hormônio masculino”, a testosterona é fundamental para a saúde sexual da mulher. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 75% das mulheres que apresentavam disfunção sexual tinham níveis de testosterona baixos. No organismo feminino, a testosterona é produzida nas glândulas adrenal e nos ovários. A quantidade, claro, é menor do que nos homens. A produção excessiva do hormônio pode sinalizar tumor nas glândulas adrenal ou distúrbios ovarianos. Com isso, provoca irregularidade menstrual, aumento de pelos, acnes e de massa muscular.

Tiroxina 4

A ação da tiroxina 4 é a mesma para homens e mulheres. E, assim como acontece com os marmanjos, a queda nas suas taxas também provoca o aumento da substância prolactina. A diferença é que, nas mulheres, o excesso de prolactina leva a alterações no ciclo menstrual e infertilidade.

Ocitocina 

Além de ser liberado durante as relações sexuais femininas, o hormônio do amor também atua sobre útero e mamas. Ele é responsável pelas contrações da musculatura na hora do parto e auxilia na produção de leite durante a amamentação.

Serotonina 

A serotonina regula o humor das mulheres. Nelas, o neurotransmissor acompanha os níveis de estrógeno. Por exemplo, quando ele cai durante o período pré-menstrual, a serotonina despenca. Esse é um dos motivos da irritabilidade e da compulsão por doces na TPM. E como explicar a maior incidência de depressão nesse público? A resposta pode estar num estudo da Universidade Médica Karolinska (Suécia), que mostrou a atuação diferenciada do hormônio em ambos os sexos. As mulheres têm maior número dos receptores de serotonina mais comuns, porém, têm níveis baixos das proteínas que transportam a substância para as células nervosas.

Comum em homens e mulheres 

Cortisol

Produzido pela glândula adrenal em situações de estresse, o hormônio aumenta a pressão, mobiliza as reservas de glicose (garantindo energia ao corpo), aguça a memória e turbina o sistema imunológico. Nem sempre esse aumento é pontual. Na Síndrome de Cushing, a produção é constante e elevada, provocando aumento do peso e lapsos de memória. Já quando baixo, pode provocar cansaço e depressão.

Leptina

Produzido no tecido adiposo (gordura), ele circula pelo corpo até chegar ao cérebro, onde promove a saciedade. Pessoas obesas precisam produzir uma quantidade maior do hormônio para não ter fome. O efeito sanfona está vinculado a este hormônio. Ao emagrecer, as taxas de leptina caem, enquanto a fome aumenta para estimular o ganho de peso.

Grelina 

Produzido no estômago durante o jejum, este hormônio desencadeia a sensação de fome. Ele diminui o metabolismo e estimula o estoque de gordura localizada e não nos alimentamos bem. Isso para garantir energia no caso de futuras privações. A grelina influencia a memória, o hormônio do crescimento e o controle das taxas de açúcar do sangue.

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SUPLEMENTOS DE CREATINA FAZEM MAL?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Fonte mdsaude
Suplementos de creatina começaram a ser usados por desportistas no início da década de 1980, ganhando grande popularidade na década seguinte após extensa divulgação na mídia do seu uso por atletas ganhadores da medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona em 1992.
Atualmente nos E.U.A cerca de 50% dos atletas universitários, 25% dos jogadores de basquetebol da NBA e 50% dos profissionais do futebol americano, referem consumir creatina regularmente para otimização do desempenho esportivo.
Suplementos de creatinaÉ bom deixar claro que a creatina não é um esteroide anabolizante, popularmente conhecido como “bomba”Também não é considerado doping por nenhuma organização internacional, incluindo o comitê olímpico internacional.
Antes de falarmos dos efeitos deste suplemento, sejam eles benéficos ou não, vamos entender o que é a creatina e qual a lógica por trás do seu uso, seja na academia do seu bairro ou por desportistas em competições internacionais.



http://www.guiametabolica.org/sites/default/files/img_creatina/creatina_01_x500.png

O que é creatina?
A creatina é uma substância produzida a partir de 3 aminoácidos, estando presente em todos os animais vertebrados. Nosso corpo, sejamos atletas ou não, produz creatina através de proteínas consumidas na alimentação. A creatina é sintetizada nos rins e fígado, sendo transportada para ser armazenada nos músculos.
A principal função da creatina é fornecer energia para a contração dos músculos. Nas próximas linhas vou tentar simplificar um mecanismo fisiológico complexo. É importante ler com calma a próxima parte para pode entender por que a creatina funciona para alguns atletas e não para outros.
Como funciona a creatina?
Como todo mundo sabe, os nossos músculos precisam de energia para funcionar. Esforços explosivos com demanda de força máxima do músculo, como no levantamento de peso ou na corrida de 100 metros rasos, são feitos através de um sistema energético chamado de fosfagênio.
A energia para os chamados esforços explosivos é fornecida após uma reação química onde um nucleotídio (compostos ricos em energia) chamado adenosina trifosfato (ATP) perde uma molécula de fósforo virando adenosina difosfato (ADP). Cada vez que um ATP é transformado em um ADP, há liberação de uma quantidade de energia que é usada pelo músculo para se contrair.
Imagine-se agora em uma academia de musculação. Você está em repouso e seu músculo está repleto de ATP. Você então, começa a fazer um exercício muscular com algum peso. O seu ATP muscular começa a ser quebrado rapidamente em ADP, liberando energia para que o seu músculo aguente o peso. O seu esforço é tão grande que em poucos segundos você consome todo o seu ATP e, a partir de então, já não consegue mais levantar o peso proposto. Você agora precisa descansar um pouco e esperar que os músculos voltem a ficar repletos de ATP.
Mas aonde entra a creatina nesta história? A creatina é a substância que mais rapidamente consegue fornecer de volta a molécula de fósforo, transformando o ADP novamente em ATP.
O nome correto da creatina é fosfocreatina. Neste processo de restauração do ATP, a fosfocreatina perde sua molécula de fósforo sendo posteriormente transformada em creatinina, uma molécula sem função que acaba sendo eliminada na urina. Como a creatinina é completamente eliminada pelos rins, ela serve como um marcador da função renal. Quando a creatinina começa a se acumular no sangue significa que os rins não estão trabalhando bem.Creatina + ATP
Na verdade, em esforços grandes e explosivos todo o ATP muscular é consumido em aproximadamente 3 segundos. Graças a creatina o músculo consegue prolongar seus estoques de ATP por pelo menos 10 segundos. Após esse tempo toda a creatina disponível é convertida em creatinina, e o ADP já não é mais imediatamente convertido em ATP.
Surge então, o segundo modo de se produzir ATP, através do consumo dos estoques de glicose muscular (glicogênio) sem oxigênio. Este modo não restaura o ATP rápido o suficiente para exercícios de máxima utilização muscular que gastam ATP em ritmo frenético. Porém, para exercícios do tipo jogar futebol, nadar, ou corridas de média distância, ele é mais do que suficiente.
O terceiro e último modo de se criar energia é através do consumo de glicose com oxigênio. Este é o modo usado nas atividades aeróbicas, como correr, pedalar ou nadar em ritmo cadenciado. Nestas modalidades o consumo de ATP é bem mais lento e, por isso, sua reposição também pode ser mais lenta.
Na verdade sempre existe uma interposição entre os 3 sistemas. Quando se joga futebol, por exemplo, acabamos por utilizar os 3 mecanismos em momento diferentes da partida. Porém, essa é uma atividade que usa predominantemente o consumo de glicose como modo de se gerar ATP. Na musculação, onde os exercícios duram poucos segundos, usamos basicamente o sistema da creatina.
Suplementos de creatina funcionam?
Baseado no que foi explicado acima é fácil entender a lógica por trás da suplementação de creatina. Se houver mais creatina disponível no corpo, maior será o tempo que o sistema fosfagênio (ATP+creatina) consegue manter a geração de energia para atividades esportivas explosivas.
A história da creatina é muito bonita e faz todo o sentido, mas a ciência é feita com comprovação prática das teorias. E aí surgem as primeiras controvérsias.
Os primeiros trabalhos apresentavam resultados conflitantes. Enquanto alguns pesquisadores conseguiam demonstrar ganhos efetivos de massa muscular e rendimento com os suplementos de creatina, outros não conseguiam apresentar os mesmos resultados. Na verdade esses resultados discrepantes ocorriam porque existiam muitas diferenças entre os grupos analisados, seja na idade, tempo de treinamento, tipo de esporte praticado etc…
Atualmente, após quase 20 anos de investigação, já há algum consenso entre os pesquisadores. A creatina parece sim proporcionar real ganho de massa muscular quando associado a um programa rotineiro de musculação. Porém, até 20% da pessoas, não se sabe bem por que, não apresentam nenhum benefício com esse suplemento. Os efeitos em mulheres e homens mais velhos são menos evidentes.
Também não há evidências claras de benefícios para atividades que não usam predominantemente o sistema fosfagênio (ATP+creatina). Entre elas podemos citar: corrida (exceto 100 e 200 metros rasos), natação e ciclismo.
A creatina é normalmente vendida sob a forma de creatina monoidratada.
Efeitos colaterais da creatina
Um dos grandes atrativos da creatina é o rápido efeito visual do produto. Em 1 semana já há ganho de peso e algumas pessoas realmente parecem apresentar algum grau de hipertrofia muscular. Porém, um ganho tão rápido costuma indicar apenas retenção de líquidos, o que pode ocorrer em suplementos de creatina que possuem elevado teor de sódio.
Apesar de ainda não haver estudos definitivos, os suplementos de creatina, quando de boa qualidade e usados na dose recomendada, não parecem estar associados a nenhum efeito colateral importante em indivíduos saudáveis.
Já é comprovado cientificamente que excesso de aminoácidos e proteínas causam aceleração da perda de função dos rins em pacientes com insuficiência renal crônica por isso, o uso de creatina nestes pacientes é contraindicado. Na verdade, como ainda existem poucos estudos sobre a segurança dos suplementos de creatina, seu uso é  desaconselhado em pessoas que não sejam completamente saudáveis.Os efeitos colaterais mais comuns da creatina são náuseas, diarreias, câimbras e desidratação. Existe ainda a hipótese de uma relação entre o consumo de creatina e aumento na incidência de cálculos renais.
Em pessoas com asma, a creatina pode causar exacerbações da doença.
Conclusão em relação aos suplementos de creatina
A creatina proporciona sim, ganho de performance e massa muscular para atividades de explosão muscular anaeróbicas. Porém, é necessário um programa de treino regular. É importante frisar que o produto não é livre de efeitos colaterais, e não são todas as pessoas que conseguem obter vantagens com o seu consumo.
Atualmente o consenso é de que a creatina em doses até 20g por dia não faz mal a saúde, porém, ainda não há evidencias inequívocas de sua segurança a longo prazo. A creatina deve preferencialmente ser tomada com supervisão de um médico especializado em atividades esportivas e um profissional de educação física.
Formulações de baixa qualidade e pouco controle técnico podem apresentar impurezas potencialmente danosas ao organismo.


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O QUE É A RESSACA?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Fonte mdsaude
O álcool é uma das drogas mais consumidas em todo o mundo. Os mais recentes dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 30% dos homens e 10% das mulheres no Brasil consomem álcool em excesso pelo menos uma vez por semana. Além disso, quase 80% dos jovens referem consumir bebidas alcoólicas regularmente.
Para entender a ressaca é preciso antes saber por que ficamos bêbados e quais os efeitos do excesso de álcool no organismo. Portanto, antes de falarmos propriamente da ressaca, vamos revisar o que acontece com álcool após o mesmo ser ingerido.

Como o álcool é metabolizado no organismo?

Quando comemos ou bebemos uma substância qualquer, ela passa basicamente por três estágios: digestão, absorção e metabolização pelo fígado. Ou seja, todo alimento que é absorvido pelo trato gastrointestinal obrigatoriamente passa pelo fígado antes de alcançar qualquer outro órgão. Isso vale para alimentos, álcool, remédios, drogas, etc. O fígado é uma espécie de centro de tratamento das substâncias ingeridas. Nada chega à circulação sanguínea central sem antes ter sido processado pelo fígado. O nome desse processo é “metabolização hepática”.

Dentre os vários papeis da metabolização hepática, um deles é inativar substâncias tóxicas que tenham sido ingeridas, como álcool (etanol), por exemplo.

Bebidas alcoólicas

Na verdade, o processo de metabolização hepática do álcool  é curioso, pois, como o fígado humano não produz uma enzima que neutralize diretamente o álcool, ele primeiro o transforma em acetaldeído, e só depois em ácido acético, que é um metabólico não ativo e não tóxico. Aqui surgem dois problemas, o primeiro é que o acetaldeído é uma substância mais tóxica que o próprio álcool; o segundo é que o acetaldeído só é inativado em ácido acético após uma segunda passagem pelo fígado.
Resumindo, consumimos álcool, mas antes do mesmo chegar à circulação sanguínea central, o fígado o transforma em acetaldeído, uma substância ainda mais tóxica. Só depois de rodar todo o organismo e retornar ao fígado é que finalmente o álcool ingerido (agora sob a forma de acetaldeído) consegue se inativado para a forma do inócuo ácido acético.
Após bebermos álcool, o resultado final é o seguinte: 92% do etanol ingerido é metabolizado e inativado pelo fígado, 3% é eliminado na urina, 5% é eliminado pelos pulmões na respiração (daí o teste do bafômetro) e menos de 1% sai na pele através do suor.
Obs: O acetaldeído é um carcinogênico (substância que causa câncer) e pode levar à lesão do fígado se a exposição for frequente e prolongada.

Por que ficamos bêbados?

Bom, até aqui já aprendemos que o álcool, que é uma substância tóxica, após ser ingerido é transformado em um outro elemento ainda mais tóxico antes de circular por todo o corpo. Mas o problema não termina aí. A absorção do álcool pelos intestinos é muito mais rápida do que a capacidade do fígado de metabolizá-lo. O fígado só consegue metabolizar o equivalente a 10 gramas de álcool por hora, o que é menos que uma 1 taça de vinho ou 300 ml de cerveja, que possuem cerca de 12 gramas de álcool. Portanto, se tomarmos o equivalente a 5 taças de vinho, o corpo vai demorar, em média, 6 horas para eliminar todo esse volume. Isso significa que após um consumo exagerado de álcool, por várias horas nosso organismo vai ter que lidar com duas substâncias altamente tóxicas circulando no sangue: álcool e acetaldeído.
Quando estamos de estômago cheio, a absorção de etanol fica mais lenta, dando mais tempo ao fígado para metabolizar o álcool que chega. Por isso, a intoxicação por etanol é mais intensa quando bebemos em jejum. Bebidas alcoólicas gasosas são absorvidas mais lentamente e alimentos ricos em proteínas ou em açúcar reduzem a absorção do álcool.
O álcool age em todo organismo, mas os seus efeitos mais visíveis são no cérebro, principalmente durante uma intoxicação aguda. Em pequenas quantidades, o álcool tem ação estimulante, levando à euforia, desinibição e maior interação social. Pequenas doses já afetam a coordenação motora e a capacidade de concentração. Conforme o nível de álcool se eleva, a capacidade de julgamento fica alterada e surgem os comentários e as ações impróprias. Doses maiores de álcool e acetaldeído na circulação intoxicam os neurônios, levando à inibição do funcionamento do sistema nervoso. Conforme a concentração sanguínea se eleva, o paciente vai passando pelas seguintes fases: letargia, sonolência, redução do nível de consciência, coma e, eventualmente, morte.
Portanto, estar bêbado significa estar com os neurônios intoxicados por álcool (e acetaldeído). Os sintomas da bebedeira duram até o fígado conseguir neutralizar todo o álcool e o acetaldeído que circulam no sangue, o que já vimos que pode levar horas.

O que é a ressaca?

A noite acabou e você se depara com luz do sol ardendo nos seus olhos. A boca está seca e com gosto amargo. Você tenta se levantar e nota ainda uma tontura residual e uma fraqueza nas pernas. Neste momento, você repara que uma terrível dor de cabeça lhe atormenta. Como se não bastasse, ainda há um mal estar terrível e uma náusea que só não provoca vômitos porque o seu estômago está completamente vazio. Você corre para o banheiro e nota que está com diarreia, mas as fezes têm um cheiro diferente do habitual. Parece cheiro de … álcool. Sua mente está um nevoeiro e os detalhes da festa da noite passada são apenas flashes. Isso lhe soa familiar?
Pois isso é nada mais do que os sintomas da ressaca, o resultado final de horas de exposição a substâncias tóxicas. Na verdade, a ressaca habitualmente surge quando o nível de álcool no sangue já está bem baixo, quase zero, após intenso trabalho de limpeza feito pelo fígado.
A ressaca parece ocorrer basicamente por três motivos:
1) Intoxicação pelo acetaldeído.
2) Queda da glicose sanguínea (hipoglicemia).
3) Desidratação.
1) O acetaldeído chega a ser até 30 vezes mais tóxico às células do que o etanol. No caso de um consumo exagerado de álcool pode haver presença deste metabólito tóxico na circulação ainda por várias horas após o indivíduo ter parado de beber. Grande parte do mal estar da ressaca é por consequência da exposição prolongada das células ao acetaldeído, o que provoca uma espécie de inflamação generalizada do organismo. Além disso, os neurônios ficam intoxicados, o que atrapalha o estabelecimento de um padrão adequado de sono. O sujeito fica sonolento, mas a qualidade do seu sono é ruim, mantendo-o cansado.
2) O processo de metabolização do etanol envolve vias enzimáticas do fígado que também participam da produção de glicose, principalmente em períodos de jejum. Como essa enzimas estão ocupadas metabolizando o etanol, temos uma queda no nível de glicose para o cérebro e outras regiões do organismo. Daí surgem os sintomas de fraqueza e mal-estar.
3) Um dos efeitos adversos do etanol no cérebro é inativar a produção de um hormônio chamado ADH (hormônio antidiurético). Os rins filtram em média 180 litros de sangue (água) por dia. Graças ao hormônio ADH, destes 180 litros filtrados, urinamos apenas 1 ou 2 por dia. O ADH é um dos principais mecanismos de controle da quantidade de água corporal. Quando ele é inibido, toda água que passa pelos rins acaba sendo eliminada na urina. Por isso, alguns minutos após o ingestão de álcool, começamos a urinar o tempo todo. Já reparou como é clara a urina após consumo de bebidas alcoólicas? Isso ocorre porque neste momento sua urina é basicamente água pura. Esse efeito diurético leva à desidratação, que causa os sintomas de boca seca, sede, dor de cabeça, irritação e câimbras.
O ADH só volta a ser produzido pelo sistema nervoso central quando os níveis de álcool tornam-se baixos, geralmente após horas de eliminação excessiva de água.

Como evitar a ressaca?

A resposta óbvia é: não beba. Mas imagino que não seja isso que você está querendo saber.
O risco de ressaca é maior quando há um consumo de pelo menos 4 taças de vinho ou 4 latas de cerveja (ou o equivalente em álcool de qualquer outra bebida) no intervalo de 2 horas. Está é uma quantidade de álcool consumido acima da capacidade de metabolização hepática, promovendo grande liberação de acetaldeído para a corrente sanguínea.
Como já dito, beber mais devagar e depois de ingerir alimentos ricos em proteínas e carboidratos diminui a velocidade de absorção de álcool pelos intestinos, dando tempo para o fígado metabolizar o álcool que vai sendo consumido. O ideal é comer antes de começar a beber. Depois de bêbado, o álcool já foi todo absorvido, comer só vai aumentar o risco de você vomitar. Todavia, nada impede que você belisque durante a festa enquanto bebe, pois isso ajuda a retardar a absorção do álcool.
Beber muita água antes, durante e depois da festa talvez seja a melhor dica. Toda vez que você for ao banheiro urinar, beba algo não alcoólico, seja água, suco ou refrigerantes (com açúcar de preferência).
Curiosamente, bebidas mais escuras – como uísque, vinho tinto, tequila (que não é tão escura) e conhaque – geralmente causam ressacas piores do que o vinho branco, cerveja ou bebidas claras, como vodca ou gim. Porém, isso de modo algum significa que cerveja ou vodca não provoquem ressaca.
Tomar medicamentos anti-ressaca, como Engov, antes de beber tem pouco fundamento científico. São drogas que misturam substâncias contra náuseas, analgésicos e cafeína, tentando amenizar alguns dos sintomas da ressaca. O problema é que o seu efeito já não é tão grande muitas horas depois de tomado, e alguns deles ainda contêm anti-inflamatórios ou aspirina, que são substâncias que irritam o estômago. O Engov (ou similares) não age sobre a desidratação, sobre a hipoglicemia, nem sobre a irritação que o acetaldeído provoca nas células.
Além de não funcionarem bem como prevenção da ressaca, esses medicamentos ainda podem estimular o indivíduo a beber mais, pois o mesmo passa a achar que está protegido contra os efeitos maléficos de um consumo exagerado de álcool.

Como curar a ressaca?

Beba muitos líquidos ao acordar. A não ser que você esteja habituado a beber café de manhã, o ideal é evitá-lo, pois a cafeína também é um diurético. Água e sucos são o ideal. Isotônicos (tipo Gatorade) também podem ser usados.
Não existe remédio que cure ressaca nem que acelere o metabolismo do etanol. De nada adianta banho frio, café, chás, produtos com cheiro forte ou qualquer outra medicação caseira. O importante é hidratação, carboidratos e bastante repouso. Habitualmente, a ressaca melhora até o final do dia.

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O FÍGADO e as Principais funções

 Fonte mdsaude
O fígado é um órgão vital, sem o qual não é possível sobreviver. Além de ser o maior órgão sólido e a maior glândula do corpo, o fígado também é responsável por centenas de funções no nosso organismo.
Neste artigo iremos abordar as principais características do fígado, dando ênfase às principais funções deste órgão. Se você está à procura de informações sobre sintomas de problemas no fígado.

O que é o fígado?

O fígado é um grande órgão maciço, com aproximadamente 20 cm de diâmetro, 17 cm de altura e peso médio de 1.4 quilo, localizado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma.

Localização do fígado
O suprimento sanguíneo do fígado é feito por duas vias, pela artéria hepática (20-40%) e pela veia porta (60-80%). O fígado é um órgão tão vascularizado que chega a receber 1.5 litro de sangue por minuto.
Uma das mais interessantes características do fígado é a sua incrível capacidade de se regenerar, sendo ele capaz de retornar ao tamanho normal mesmo após ter mais de 50% do seu volume retirado cirurgicamente.
O fígado é uma complexa fábrica orgânica, com centenas de funções, entre as mais importantes, remover toxinas do sangue e processar alimentos vindos dos intestinos.

Funções do fígado

As células do fígado, chamadas hepatócitos, contêm milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue, sejam elas benéficas ou prejudiciais ao nosso organismo. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para nossa saúde.
A ciência já conhece mais de 500 funções do fígado, vamos falar resumidamente das principias:
1- Metabolização dos nutrientes digeridos
O processo de digestão consiste na quebra dos nutrientes em moléculas cada vez menores, até o ponto delas poderem ser absorvidas pela mucosa dos intestinos e depois lançadas na circulação sanguínea.

Figado e veia porta  
                                                                                               



Sistema Porta hepático
Toda a circulação sanguínea do trato digestivo drena em direção à veia porta, de forma que nenhum nutriente ou substância ingerida consiga chegar ao resto do organismo sem antes passar pelo fígado.
Este processo é de suma importância, pois é o fígado quem controla quanto, qual, em que forma cada substância originada da alimentação passará para o resto do corpo. Exemplos:
a. Gorduras
O processo de digestão quebras as gorduras em moléculas pequenas, chamadas ácidos graxos e glicerol. São estas as moléculas absorvidas pelos intestinos e lançadas em direção à veia porta. No fígado essa gordura é transformada em diversas substâncias, como fosfolipídios ou colesterol, que são essenciais na produção de nossas células.
O fígado também usa as gorduras para sintetizar lipoproteínas, como o HDL, VLDL, e LDL, que são as moléculas responsáveis pelo transporte de colesterol pelo sangue.
 O fígado também é quem determina se a gordura ingerida será usada para gerar energia ou será armazenada. Se o indivíduo consome gorduras em excesso, o fígado transforma o glicerol e o ácido graxo em triglicerídeos, armazenando-os no tecido subcutâneo, criando camadas de tecido adiposo (os famosos pneuzinhos). De forma oposta, se o corpo precisar de fontes extras de energia, o tecido adiposo quebra os triglicerídeos novamente em glicerol e o ácido graxo, enviando-os de volta para o fígado para que eles possam ficar disponíveis como fonte de energia para as células.
b. Proteínas
O processo de digestão quebra as proteínas ingeridas em moléculas chamadas aminoácidos. O fígado é o órgão que decide o destino destes aminoácidos, podendo utilizá-los como:
- fonte para produção de proteínas essenciais para o organismo, como albumina, globulinas, lipoproteínas, fatores da coagulação, etc;
- fonte para formação de massa muscular;
- fonte para produção de gordura, pois, caso necessário, o fígado consegue transformar aminoácidos em triglicerídeos, num processo chamado lipogênese;
- fonte para produção de glicose, em um processo chamado gliconeogênese.
Pacientes com doenças graves do fígado apresentam níveis baixos de proteínas no sangue, principalmente albumina. A perda de massa muscular também é comum devido à perda de capacidade de lidar com os aminoácidos recebidos da alimentação. A deficiência de fatores da coagulação faz com que estes pacientes apresentem maior risco de sangramentos.
A digestão das proteínas produz aminoácidos, mas também gera a amônia, uma substância tóxica para o organismo. O fígado é o responsável pela metabolização da amônia, transformando-a em ureia, uma substância infinitamente menos tóxica. Pacientes com cirrose e falência hepática perdem a capacidade de metabolizar a amônia, fazendo com que a mesma se acumule no corpo, levando à chamada encefalopatia hepática, um processo de intoxicação dos neurônios.
c. Glicose
Os carboidratos ingeridos são transformados em moléculas de glicose, que é a principal fonte de energia das células. Quando chega uma grande quantidade de glicose ao fígado, ele libera uma parte em direção à circulação sanguínea e armazena outra sob a forma de glicogênio, para que esta possa ser usada como fonte de energia nos períodos de jejum ou atividade física. Se o fígado já está cheio de glicogênio, mas o indivíduo continua ingerindo carboidratos em excesso, o mesmo passa a ser transformado em triglicerídeos (lipogênese), sendo enviado para os tecidos subcutâneos. É por isso que comer muito carboidrato engorda.
Pacientes com grave doença hepática podem apresentar hipoglicemias, pois o fígado já não consegue armazenar glicose na forma de glicogênio, fazendo com que o paciente não tenha reservas de glicose facilmente disponíveis nos períodos de jejum.
2- Metabolização de substâncias tóxicas
Assim como os nutrientes, qualquer outra substância ingerida também passará pelo fígado antes de chegar ao resto do organismo, incluindo remédios, drogas, toxinas ambientais e álcool.
Os hepatócitos são ricos em citocromo P450, o nome dado a uma família de enzimas que têm a capacidade de metabolizar, inativar e facilitar a eliminação pelos rins de diversas substâncias.
O exemplo mais famoso do processo de desintoxicação realizado pelo fígado é a metabolização de bebidas alcoólicas. O álcool é uma substância extremamente tóxica,  mas que até certo ponto pode ser consumida, pois o fígado tem a capacidade de transformá-lo em ácido acético, uma metabólito muito menos tóxico e facilmente eliminado pelos rins através da urina. Se você quiser informações mais detalhadas sobre esse processo de metabolização do álcool pelo fígado.
O fígado também é capaz de desativar substâncias produzidas pelo próprio corpo, como hormônios, impedindo que haja excesso dos mesmos circulando pelo sangue.
Pacientes com doenças hepática devem evitar álcool e determinados medicamentos, pois o fígado já não será mais capaz de metabolizá-los adequadamente.
3- Produção de bile
Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) são células que têm uma vida média de 120 dias. Quando ficam velhas, elas são levadas para o baço, onde são destruídas. Um dos produtos liberados neste processo é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado. A bilirrubina produzida no baço não é solúvel em água e, portanto, não pode ser eliminada pelos rins, cabendo ao fígado este papel.
A bilirrubina é metabolizada no fígado e acrescentada a bile, uma substância que auxilia na digestão de gorduras. A bile produzida pelo fígado é parte armazenada na vesícula biliar e parte liberada no intestino, para facilitar o processo de digestão. A presença da bilirrubina na bile é a responsável pela cor marrom das fezes. 
Se o fígado perder a capacidade de metabolizar e excretar a bilirrubina, a mesma se acumula no sangue e acaba se depositando na pele, tornando-a amarelada, um sinal que chamamos de icterícia.
4- Produção de substâncias essenciais ao organismo
Além da produção de proteínas importantes, como albumina e fatores da coagulação, já explicados acima, o fígado também é capaz de produzir, metabolizar e armazenar uma grande diversidade de outras substâncias, como vitaminas e ferro.
5- Destruição de bactérias e outros germes.
O fígado possui células de defesas, chamadas células de Kupffer, capazes de eliminar germes e fragmentos de células mortas que passem pelo fígado.

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Dieta para baixar o Colesterol

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Fonte mdsaude
Mudanças no estilo de vida, incluindo a prática regular de exercícios físicos e uma dieta adequada, são importantes medidas para o controle dos níveis de colesterol. Em muitos casos, com medidas simples é possível reduzir ou até mesmo evitar o uso de medicamentos contra o colesterol.
Qualquer grau de redução no colesterol é bem-vindo, já que a cada 1% de redução dos níveis de LDL no sangue diminui-se em 2% o risco de doenças cardiovasculares.
É importante salientar que além da dieta também são essenciais o controle do peso corporal e a prática de exercícios físicos regulares.

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Quem deve fazer dieta para colesterol?
Uma dieta saudável é indicada para qualquer indivíduo, mesmo aqueles com níveis de colesterol controlados. Entretanto, quanto maior for o valor do colesterol LDL, mais importantes se tornam as mudanças de hábito de vida. Uma dieta voltada para controle do colesterol está indicada para todos aqueles com colesterol LDL acima de 130 mg/dL. No caso de pacientes com antecedentes pessoais de doença coronariana a dieta deve ser feita de modo a ajudá-lo a manter o LDL abaixo de 100 mg/dL.
Dieta para baixar colesterol
O que se segue abaixo são dicas gerais sobre alimentos e suplementos no controle do colesterol. Para se otimizar os resultados é sempre importante ter uma consulta com um nutricionista para que este possa traçar uma estratégia apropriada para o seu caso em particular.Regra geral, deve-se evitar gorduras saturadas, principalmente as poli saturadas do tipo trans. As gorduras mais saudáveis são as gorduras insaturadas, principalmente as monoinsaturadas, encontradas em alimentos como o azeite, canola, abacate, amendoim e nozes.
1.) Carnes
Não é preciso cortar carnes da dieta, mas dê preferência a peixes. Carnes de aves sem pele também são uma opção. Carne de boi ou porco somente se forem cortes magros. A quantidade ideal de carne por dia é de 150 a 200g. Deve-se evitar:
- Carnes com cortes gordos, entrecosto, carne de órgãos e carnes fritas (inclusive peixes).
- Linguiça, salsicha, mortadela, salame, presunto e bacon.
- Camarão, polvo e lulas
Deve-se sempre dar preferência à proteína vegetal em vez da proteína de origem animal. A carne de soja é um ótimo substituto para as carnes de origem animal.
2.) Ovos
Pode-se comer ovos, porém, não mais do que 4 gemas por semana nos casos mais leves e não mais do que 2 gemas por semana nos casos de colesterol mais elevado ou alto risco cardiovascular. Nesta conta inclui-se alimentos que levam ovos, como bolos e massas. A clara não tem colesterol e pode ser consumida sem medo.
3.) Leite e derivados
O leite deve ser sempre desnatado. O mesmo vale para queijos e iogurtes. Dê preferência ao queijo cottage, o mais magro de todos. Queijo Minas light também é uma boa opção. Evite queijo gorgonzola, cheddar, provolone e parmesão.
Ao contrário do muita gente pensa, a muzarela de búfala não é um queijo magro. Na verdade, ela é mais gordurosa até do que a muzarela comum.
Se quiser usar creme de leite na preparação de algum prato, use o à base de soja, cujo sabor é muito parecido. Também tenha cuidado com sorvetes cremosos.
4.) Margarina
Não se deve usar manteiga, mas sim margarina. Já há no mercado margarinas com esteróis vegetais (fitosteróis) que comprovadamente ajudam a baixar os níveis de colesterol LDL. As duas marcas mais famosas são Becel pro-activ® e Benecol®.
5.) Óleo de peixe (Omega 3)
O omega 3 é um tipo de gordura encontrada em peixes gordos, principalmente salmão, nas sementes de linhaça, óleo de linhaça, óleo de canola, óleo de soja e nozes. O óleo de peixe também pode ser encontrado em cápsulas. O seu consumo regular reduz a incidência de eventos cardiovasculares e ajuda a reduzir os níveis de triglicerídeos. Sugere-se o consumo de no mínimo duas refeições por semana com peixes ricos em omega 3.
6.) Soja
A proteína de soja apesar de não baixar diretamente os níveis de colesterol é indicada nos pacientes com colesterol alto por ser uma fonte de proteína com baixa quantidade de gordura saturada e grande quantidade gorduras insaturada.
7.) Nozes
Nozes, amêndoas, avelã, pistáchio e castanha são boas opções para redução do colesterol LDL.
8.) Alho
Apesar da crença popular, não há evidências de que o alho tenha ação direta na redução do colesterol LDL.
9.) Chá verde
O chá verde comprovadamente reduz os níveis de LDL. É uma boa opção.
10.) Fibras
O consumo regular de alimentos ricos em fibras ajuda a reduzir os níveis de LDL. Coma o máximo de alimentos com fibras que conseguir.
11.) Frutas e vegetais
Ajudam a reduzir o colesterol LDL e devem ser a base da alimentação.
12.) Óleos vegetais
Os óleos vegetais, como azeite, soja, girassol, canola, milho, algodão e arroz não possuem gordura saturada e são ótimas fontes de gordura saudável (gorduras insaturadas). Mas atenção, eles não devem ser fervidos, pois altas temperaturas mudam sua estrutura química transformado-os em gordura saturada (gordura ruim).
13.) Chocolate amargo
Enquanto o chocolate comum costuma aumentar os níveis de colesterol, o chocolato amargo é rico em flavonoides, substâncias que diminuem o LDL.
14.) Pão
Pão integral e cereais de aveia, milho ou trigo são indicados. Deve-se evitar: croissants, pães nos quais ovos, gordura ou manteiga sejam os ingredientes principais, biscoitos com alto teor de gordura, bolos, muffins contendo leite integral, gemas de ovos ou óleos saturados.
É importante salientar que a dieta e os exercícios conseguem baixar os níveis de colesterol em até 20-30%, sendo muitas vezes o suficiente para se atingir níveis adequados. Mesmo naqueles pacientes que precisam de remédios para controlar o colesterol, a dieta é importante pois potencializa a ação das drogas, fazendo com que seja necessário o uso de doses menores, diminuindo os custo do tratamento e a incidência de efeitos colaterais.

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Dor no ombro? Pode ser tendinopatia.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Fonte: http://www.einstein.br/einstein-saude/pagina-einstein/Paginas/dor-no-ombro-pode-ser-tendinopatia.aspx
A dor no ombro, ou síndrome do ombro doloroso, não escolhe sexo, condição social ou mesmo idade.
Ela é a queixa de cerca de 20% dos pacientes que procuram as clínicas ortopédicas e de fisioterapia. O problema pode ter origem em qualquer uma das várias estruturas que formam o ombro, a articulação de maior mobilidade do corpo humano. Mas são as lesões crônicas dos tendões, as chamadas tendinopatias, as responsáveis por nada menos que 40% das ocorrências.
As causas são variadas, entre elas encurtamento muscular, falhas posturais e de alongamento, formato do osso acrômio. Atividades profissionais que exigem movimentos repetitivos dos braços acima da linha dos ­ombros fazem de seus executores alvos fáceis de tendinopatias. É o caso de pintores de parede, cabeleireiras e pessoas que precisam frequentemente pegar objetos pesados em locais elevados. Esportes como tênis, natação, vôlei, handebol e pólo aquático também predispõem seus praticantes a lesões. E há, ainda, uma estreita relação do problema com o tabagismo, comprovada por estudos. Isso porque o hábito de fumar leva à redução do calibre dos vasos sanguíneos e, consequentemente, à baixa vascularização, o que pode favorecer as tendinopatias do ombro.

Meia-idade

O problema manifesta-se geralmente quando a meia-idade se aproxima, pelo desgaste natural dos tendões. As tendinopatias relacionadas ao envelhecimento dos tendões atingem aproximadamente 2% da população mundial. “Em crianças e jovens, a ocorrência é bem mais rara e quase sempre está relacionada à prática esportiva”, informa o Dr. Benno Ejnismann, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
A quase totalidade das tendinopatias ocorre no manguito rotador, um conjunto de quatro músculos e tendões (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular) responsáveis pela movimentação e estabilidade da principal articulação do ombro (a articulação glenoumeral).
Cerca de 90% das lesões do manguito rotador afetam o tendão supraespinal que, por sua localização, é mais sujeito a pinçamentos e impactos, além de estar em área menos vascularizada. A dor quase sempre é vaga, podendo irradiar para o braço e pescoço, e aumenta com a repetição de movimentos. Outra importante característica é a dor noturna, que fica mais intensa com a pessoa deitada, independentemente da posição.
No estágio I da tendinopatia, que em geral acomete jovens pela prática de atividade esportiva, o tratamento clínico, com repouso do ombro, aplicação de gelo e analgesia costuma ser eficaz na maioria dos casos. Em pacientes jovens, é recomendável a realização de exames complementares para diagnóstico diferencial de tendinite calcárea (deposição de cálcio dentro dos tendões), mais frequente nessa faixa etária.
Essa é a causa mais comum da síndrome do ombro doloroso. Nos casos mais graves, só a cirurgia resolve.
Dos 40 aos 50 anos, tornam-se mais comuns as tendinopatias do tipo II, resultantes de fibroses de processos anteriores, tornando indicado o tratamento fisioterápico e medicamentoso com antiinflamatórios. “Nesse estágio, a indicação de cirurgia não chega a 40% dos casos”, explica o Dr. Benno.
A partir dos 50 anos de idade, cresce a incidência de rupturas parciais e totais de um ou mais tendões. São as tendinopatias do tipo III. Mesmo nessas situações a conduta clínica pode ser eficiente em grande parte dos casos. “A cirurgia torna-se a conduta recomendada quando a lesão atinge mais de 50% da espessura do tendão e não há boa resposta ao tratamento clínico”, diz o Dr. Breno Schor, ortopedista do HIAE. Segundo ele, se não for adequadamente tratada, as tendinopatias nesse estágio tendem a evoluir para problemas mais graves, como a artrose, doença que provoca dores, perda de força muscular e limitação de movimentos.

Os benefícios da artroscopia

Desde a década de 90, a artroscopia, intervenção cirúrgica minimamente invasiva, é o recurso mais utilizado para a reparação dos tendões. Com a evolução da técnica, o procedimento vem se tornando cada vez mais cômodo para o paciente. Três ou quatro incisões com 4 a 5 milímetros cada possibilitam ao cirurgião recolocar e fixar o tendão no ponto em que se soltou, remover as lesões e os processos inflamatórios. Em geral, o procedimento dura cerca de uma hora, e o tempo de internação não costuma superar um dia.
Tão importante quanto a cirurgia é a reabilitação pós-operatória para o êxito da recuperação. O uso de tipoia será necessário durante três a seis semanas. Aplicação de gelo e trabalho fisioterápico, visando à cicatrização, recuperação dos movimentos e da força muscular, começam a partir do 15º dia, estendendo-se por um período de três a quatro meses, chegando a até cinco meses no caso de atletas. Além disso, aprender a executar de forma adequada movimentos com potencial para causar lesões e realizar um trabalho de aquecimento e alongamento de todos os grupos musculares do ombro é a chave para evitar novas ocorrências.
De acordo com o Dr. Breno, a cirurgia torna a anatomia do ombro melhor do que era antes da lesão. E, com um trabalho de reabilitação pós-operatória bem executado, os resultados são excelentes em mais de 90% dos casos. Ou seja, o indivíduo se livra da dor e do desconforto e, em poucos meses, pode retomar todas as atividades de rotina. Sem dúvida, são recursos importantes que a medicina oferece, bem-vindos para todos os pacientes – inclusive aqueles que, por causa da profissão ou prática esportiva, continuarão exigindo uma boa performance dos seus ombros.

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Zumbido nos ouvidos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Fonte: http://www.einstein.br/einstein-saude/pagina-einstein/Paginas/zumbido-nos-ouvidos.aspx

Estudos realizados em diferentes países apontam que entre 15% e 25% das pessoas têm zumbido no ouvido, ou tinnitus, o nome técnico. Para a grande maioria delas – cerca de 80% – isso não representa um incômodo. Os demais sofrem com ele em maior ou menor grau.
O zumbido pode acarretar depressão, insônia, afetar a qualidade de vida e a capacidade de executar atividades rotineiras como trabalhar ou estudar. Ouvir esse barulho que ninguém mais escuta pode tornar-se uma verdadeira tortura. Trata-se de um “sintoma fantasma” – algo semelhante ao que ocorre com pessoas que tiveram um membro amputado e continuam sentindo dor na parte do corpo que não existe mais. Talvez por isso, o tinnitus nem sempre tenha a devida atenção dos médicos, e o paciente acaba por receber a frustrante orientação de aprender a conviver com o problema. Contudo, existem, sim, tratamentos que minimizam o zumbido e, em alguns casos, o eliminam.
De acordo com o Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, otorrinolaringologista do Einstein, o tinnitus geralmente é causado por uma atividade neural anormal que afeta os mecanismos de atenção e alarme do cérebro relacionados ao sistema auditivo, fazendo com que a pessoa perceba um som que não está sendo gerado no ambiente. “O sistema de atenção pode ser exemplificado por uma jovem mãe, que não acorda com uma trovoada, mas desperta ao menor choro de seu bebê. Já o mecanismo de alarme é acionado, por exemplo, com o som de uma buzinada ao atravessar a rua, que obriga o sistema nervoso a tomar uma atitude de defesa diante do risco. Por um mecanismo de reflexo, o tinnitus entra nos sistemas de atenção e de alarme. Por isso, pode se tornar desesperador para a pessoa”, afirma o médico.
Mais de 90% dos pacientes com zumbido apresentam também perda auditiva. Outra característica comum é o agravamento à noite, período de maior silêncio. Durante o dia o zumbido é mascarado pelos sons diurnos.

Uma infinidade de causas

Segundo o Dr. Ricardo Ferreira Bento, otorrinolaringologista do Einstein e professor titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), vários fatores, inclusive algumas doenças, podem provocar ou agravar o tinnitus. E mais de uma causa pode estar presente no mesmo indivíduo. “Não costuma ser nenhuma doença grave, mas é necessário fazer exames para afastar possibilidades como a presença de tumores. Muitos casos têm cura ou podem se estabilizar, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Por isso, é importante que o paciente procure o médico assim que perceber o problema”, destaca.
Entre as outras possíveis causas do tinnitus, estão problemas no ouvido (inflamação, cerume, etc), taxa de glicemia alta, problemas cardiovasculares, estresse e outras alterações emocionais. “Em algumas pessoas, cigarro, bebida alcoólica e cafeína em excesso podem estar relacionados ao zumbido”, diz o Dr. Ricardo.
Além disso, de acordo com o Dr. Maurício Kurc, otorrinolaringologista do Einstein, o uso de alguns medicamentos também pode estar relacionado ao zumbido. “Diuréticos da alça, que atuam nos rins, e anti-inflamatórios em doses altas podem causar zumbido reversível. Já os antibióticos aminoglicosídeos podem levar a um quadro irreversível mesmo após o fim do seu uso. Acontecem ainda casos em que o zumbido aparece depois que a pessoa parou de tomar algum medicamento. Além disso, a exposição a ruídos, tanto de lazer quanto ocupacionais, podem ter impacto a longo prazo”, completa o Dr. Maurício.
Quando a causa ou causas são identificadas, são elas que devem ser objeto do tratamento. Mas em metade dos pacientes não há causas identificáveis. Também não há exames que permitam medir objetivamente o zumbido. A avaliação é subjetiva. Durante a consulta, o médico faz testes com o paciente, que aponta o grau de ruído que sente. Às vezes, a sensação que o indivíduo tem do ruído pode ser elevada, mas quando ele compara com outros sons, percebe que não é tão alta.
O tratamento varia caso a caso. Podem ser prescritos medicamentos que aliviam o desconforto e problemas derivados do zumbido: tranquilizantes, anticonvulsivantes e antidepressivos. Fitoterápicos à base de ginkgo biloba têm sido usados com resultados positivos em alguns pacientes, mas não há estudos que comprovem cientificamente seu benefício. Em algumas pessoas com perda auditiva, o zumbido desaparece com o uso do aparelho auditivo.
Há ainda equipamentos criados especificamente para o tratamento do zumbido, como os geradores de som (também conhecidos como mascaradores de som), que surgiram há cerca de 15 anos. Colocados no ouvido, eles produzem externamente um som semelhante ao zumbido interno, proporcionando algumas horas de alívio. Estudos mostram que a pessoa tolera melhor o som externo do que aquele que vem de dentro. Efeito semelhante pode ser obtido sintonizando-se o rádio entre duas estações: aquele chiado característico também funciona como um mascarador do ruído interno.
Mais de 90% dos pacientes com problema de zumbido no ouvido apresentam também perda auditiva
Já o retreinamento do zumbido (tinnitus retraining therapy – TRT), criado pelo neurocientista Pawel Jastreboff, usa um som diferente, com o objetivo de retreinar o cérebro: quando o paciente deixa de ouvir o barulho do aparelho, deixa de ouvir o zumbido também. É o que a neurologia chama de habituação, ou seja, fazer com que o sistema nervoso aprenda a ignorar estímulos sem significado. Busca-se o mesmo fenômeno que ocorre com as anêmonas-do-mar: elas se fecham, reagindo a uma gota de água, mas deixam de fazê-lo se as gotas de água tornam-se constantes. O ruído do aparelho usado no TRT é igual para todo mundo, mas a intensidade é ajustada de acordo com cada caso. Segundo o Dr. Pedro Luiz, precisa ser usado de seis a oito horas por dia durante um período de oito a 10 meses.
Um aperfeiçoamento desse sistema surgiu mais recentemente. Ele mistura diferentes sons, também visando à habituação. A promessa é de que os resultados apareçam um pouco mais cedo, entre quatro e cinco meses de uso. Ainda não há estudos com uma base relevante de pacientes que apontem o percentual de pacientes que se beneficiam com o uso desses aparelhos.
Em resumo, há vários caminhos para tratar o zumbido, e a medicina segue estudando novas alternativas. Assim, quem sofre com isso não deve dar ouvidos ao conselho de “aprender a conviver com o problema”. Deve, sim, buscar as soluções que a medicina oferece.

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